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Capacitação e oportunidades: reflexões acerca do cenário mercadológico para as pessoas com deficiência

Criado: Quarta, 21 de Junho de 2017, 17h47 | Acessos: 106

Por Carleugênia Rocha (monitora do Nei e estudante de Direito)

Na década de 90 a sociedade conquistou um importante dispositivo legal para a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, a lei 8213/91. Hoje, embora tenha-se um desenvolvimento social, percebe-se grande descumprimento desse ordenamento jurídico, visto que, os impasses relacionados ao preconceito, bem como “hiatos” na formação universitária, inviabilizam o desenvolvimento dessas pessoas.

De acordo com a pesquisa “Profissionais de recursos humanos – expectativas e percepções sobre a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho”, (uma realização da i.Social, em parceria com a Catho e com apoio da ABRH Brasil) apenas 49% das empresas que fazem parte do perfil de contratação de pessoas com deficiência cumprem a legislação. Embora estatísticas apontem a dificuldade de encontrar mão de obra capacitada e o perfil do candidato para ocupar determinados postos nas empresas, percebe-se que o grande entrave ainda é a falta de informação.

São poucas as empresas que dispõem cursos para preparar os agentes do setor de Recursos Humanos para realizarem a seleção de profissionais com deficiência. Por vezes, as pessoas com deficiência até possuem a qualificação necessária para ocuparem determinados cargos, todavia o preconceito e subjugamento, impedem a contratação.

Outro aspecto importante é que há uma lacuna na formação universitária. De acordo com o Decreto 5626 de 2005 somente os cursos voltados para a área da educação (licenciaturas) possuem um currículo mais preocupado com a inclusão. A título de exemplo, a disciplina de Libras (Língua Brasileira de Sinais) é obrigatória. Todavia, os cursos de bacharelado não possuem um currículo em que algum aspecto tenha o respaldo legal sobre a acessibilidade e inclusão. Dessa forma, as abordagens de determinadas temáticas dependerão do interesse específico de professores e alunos.

As universidades são a base para o desenvolvimento da sociedade. São delas que partem o conhecimento científico que serão incluídos na dinâmica social. Se não ocorre um trabalho em todos os âmbitos nas instituições de ensino superior sobre a capacitação dos estudantes em inclusão e acessibilidade, lança à sociedade muitos profissionais que não tiveram uma formação que atenda determinados grupos - como as pessoas com deficiência, corroborando para a manutenção de um ciclo vicioso que é o preconceito e a desigualdade. É o conhecimento que possibilita mudanças significativas para a realidade

Dessa forma, compreende-se que a inclusão será maior quando diversos âmbitos da sociedade entrarem em plena sintonia. Mais pessoas com deficiência poderão ter a oportunidade de emprego se os outros profissionais, a sociedade, forem melhor informados. As chances no mercado de trabalho são aniquiladas, em primeiro lugar, em função do preconceito e não pela falta de capacidade das pessoas com deficiência.

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